A segunda proposta da unidade curricular de Design e Comunicação Visual incide sobre a Tipografia, ("A tipografia é o ofício que dá forma visível e durável - e portanto existência independente - à linguagem humana." - Robert Bringhurst) o manuseamento dos diversos tipos de fontes como objecto estético e simbólico e não meramente textual. “Uma família tipográfica não é simplesmente um conjunto de letras. Cada tipo transmite, de acordo com as características da forma, um conceito diferente.”
Sendo assim e após uma reflexão meticulosa, o texto escolhido foi de ordem inteiramente descritiva. A selecção deste conteúdo textual deveu-se ao facto de, no decorrer da leitura, serem transmitidas sensações como a tranquilidade, o deslumbramento e uma fugaz nostalgia. Para além disso, trata-se uma composição integralmente visual.
De facto, o texto evidencia a descrição de uma paisagem tipicamente urbana, proporcionando um estado de contemplação onírico e nostálgico. A nosso ver, esta descrição remete-nos para a cidade do Porto, uma vez que é feita uma referência ao “voo inquieto das gaivotas” (som peculiar da cidade), “as casas insondavelmente antigas apreciavam o tumulto do rio” e “os barcos”. Embora não seja uma justificação totalmente concebível (porque várias cidades apresentam estas particularidades), pode muito bem associar-se ao Porto.
É importante salientar que, inicialmente, a ideia consistia em fazer com que a palavra cidade fosse embebida pelo efeito de dispersão de fumo (no qual irei colocar um exemplo mais abaixo), no entanto com o desenvolvimento do projecto no Photoshop, o vocábulo cidade acabou por ficar envolvido numa névoa.
A fonte tipográfica que mais se enquadrava à composição textual era uma com serifa, pois permite uma maior legibilidade, além de transmitir a graciosidade e elegância que os adjectivos (escolhidos minuciosamente pelo autor) concedem à descrição da cidade. Sendo assim, a fonte EucrosiaUPC revelou-se a melhor opção. A cor preta pode ser interpretada de forma ambígua, se tivermos em conta a análise feita relativamente às sensações transmitidas. Por outras palavras, jovialidade paisagística, calor, serenidade, deslumbramento (…) foram as sensações retiradas da interpretação do texto. Sensações essas que se relacionam mais com a cor amarela (calor, jovialidade), azul (serenidade), cinza (estabilidade) e não com a cor preta. No entanto, se fossem utilizadas qualquer uma dessas cores, a palavra cidade não teria o mesmo impacto que tem com a cor preta. A cor preta evidencia um carácter elegante digno dos vocábulos utilizados na descrição da cidade.
Em relação ao fundo, como já foi dito anteriormente, optou-se pela formação de uma névoa colorida sobretudo pela cor cinza que é frequentemente associada à neutralidade (não tem carga emotiva), isto porque temos como objectivo dar ênfase às palavras incluídas na névoa. Para além dessas tonalidades, fez-se uso do verde e do azul (representam a parte natural que é descrita no texto – “pequenas ondas”, “profundezas do rio”, “nuvens passeavam”) e, ainda do castanho amarelado (cor do papiro – meio físico usado para a escrita durante a Antiguidade) que nos induz a um passado turbulento e dinâmico, cheio de coisas, acontecimentos, peripécias, situações para contar (“uma cidade carregada de memórias”). É de salientar que a névoa sobrepõe todo o texto – uma exigência que foi feita pelo docente.
Posteriormente, foi feita uma selecção criteriosa das palavras que constituíam o texto descritivo para serem incorporadas na névoa. Tivemos em conta sobretudo o destaque das mesmas e se estas se aproximavam das sensações que se pretendiam transmitir. Jovem tarde, céu, memórias, gaivotas, ouro crepuscular, casas antigas, ondas, rio, barcos e suspiro de beleza foram as escolhidas. A fonte tipográfica que mais se adequava era a Nueva, uma fonte com serifa que confere a legibilidade necessária à sua compreensão. Sem dúvida que esta tipografia reflecte melhor a intencionalidade inscrita indirectamente na composição escrita, pois é embebida de uma certa subtileza e suavidade característica do texto. Saliente-se que cada um dos vocábulos obteve uma abordagem específica:
Ø Memórias – cor preta, de modo a que sobressaía (porque a cidade é toda ela carregada de memórias);
Ø Ondas – a manipulação feita nas letras “o” e “d” outorgam a imprevisibilidade/eventualidade característica da ondulação;
Ø Céu e rio – apresentam a cor azul, uma vez que são as suas tonalidades representativas;
Ø Casas antigas – encontra-se em itálico para conferir um cariz mais subtil, clássico;
Ø Memórias – cor preta, de modo a que sobressaía (porque a cidade é toda ela carregada de memórias);
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| Figura - Primeiro projecto final |
Logo após a realização do trabalho prático, revelou-se fundamental uma apreciação do docente da unidade curricular, de modo a que este pudesse nos elucidar acerca de possíveis melhorias no projeto. Sendo assim, o professor Bruno Giesteira afirmou que o projeto apresentado não correspondia ao que era pretendido, uma vez que o efeito de dispersão de criava uma espécie de imagem de fundo.
Por isso, decidiu-se retirar esse efeito e dar primazia à tipografia. Elemento que, aliás, era o que deveria ter sido realçado desde início. Optou-se por colocar o texto (na íntegra) como marca de água. Em algumas iniciais das palavras decidiu-se remexer, adicionando um pouco de dinamismo/movimento de que as ondas (referidas no texto) são peculiares. A palavra Cidade foi destacada, mas desta vez com outro efeito. Um efeito de linhas pretas, com o intuito de simbolizar as pontes do Porto.
Para além desta alteração, era pertinente adicionar outro simbolismo: o da onda. Por outras palavras, as letras que compõem o vocábulo foram embebidas pelo efeito ondulação.
De seguida, foi feita mais outra modificação, nomeadamente, o destaque de algumas palavras chave que estavam inscritas no texto de fundo. Essas palavras chave transmitiam sensações que inicialmente tínhamos concluído numa análise meticulosa do texto descritivo sobre o Porto.
No entanto, surgiu outra ideia. As palavras chave deveriam preencher a forma de um barco. Porquê um barco? Porque o barco, nomeadamente, o rabelo, trata-se de um objeto de identificação nacional e internacional do Porto. Para isso, recorreu-se ao Adobe Illustrator, onde se utilizou a imagem de um barco como molde para as palavras. O objetivo era fazer o seu preenchimento com os vocábulos.
Seguidamente, removeu-se o barco deixando apenas a forma.
Esta proposta retrata bem o nosso texto, bem como o objetivo primordial reiterado na análise: Utilização exclusiva da tipografia. A cor predominante é o azul, pois é aquela que representa um maior número de sensações referidas inicialmente, nomeadamente: a tranquilidade, a serenidade e a harmonia, não deixando de parte o castanho amarelado que também foi outra cor concebida para a realização do projeto.







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